Reflexões e aborto




    Reflexões:
        • Argumentos a favor e contra o aborto
        • O Aborto e a Pobreza
        • Controlo Populacional e Aborto
        • Feminismo e Aborto
        • Saúde Reprodutiva e Aborto


Argumentos a favor o aborto
  • A mulher tem o direito de tomar decisões num assunto que diz respeito à sua vida como o é da maternidade.
  • A maternidade não desejada é fonte de problemas futuros para a mulher, para o casal, para as famílias e, sobretudo, para as crianças delas nascidas.
  • É uma decisão que afecta não só a vida da mulher, mas a vida do casal envolvido e, caso exista, o contexto familiar.
  • Podem ocorrer problemas na futura vinculação afectiva entre a mãe e a criança nascida quando a gravidez é vivida em sofrimento.
  • A IVG quando considerada crime promove a perseguição às mulheres que abortam.
  • Embora não haja mulheres na prisão, há mulheres com pena suspensa. Dezenas de mulheres são perseguidas, sujeitas a exames médicos humilhantes e expostas à opinião pública.
  • O aborto clandestino é um problema de saúde pública.
  • O acesso ao aborto legal permite reduzir progressivamente o recurso ao aborto.
  • A defesa ao acesso ao aborto legal está associada à prevenção das gravidezes não desejadas.
  • Nenhum sistema de saúde entrou em colapso depois da despenalização da IVG.
  • Proibir não elimina o recurso ao aborto. Quando as mulheres sentem que ele é necessário fazem-no, mesmo que não seja em segurança.
  • Um aborto mal feito pode ter consequências graves para a saúde da mulher.
  • Definir um feto (um embrião ou mesmo um ovo) como uma "pessoa", com direitos iguais ou mesmo superiores aos de uma mulher - uma pessoa que pensa, sente e tem consciência - é um absurdo.
  • A proibição do aborto é discriminatória em relação às mulheres de baixo nível sócio-económico, que são levadas ao aborto auto-induzido ou clandestino. As mais diferenciadas economicamente podem sempre viajar para obter um aborto seguro.
  • O primeiro direito da criança é ser desejada.
  • A possibilidade de escolha é boa para as famílias.
  • Uma gravidez indesejada pode aumentar tensões, romper a estabilidade e empurrar as pessoas para baixo do limiar de pobreza.





Argumentos contra o aborto
  • Hoje em dia só engravida quem é mesmo irresponsável. Promovendo o Planeamento Familiar não é preciso despenalizar o aborto.
  • Fazer um aborto é um atentado contra a vida humana.
  • Nenhuma mulher foi parar à prisão por ter recorrido ao aborto.
  • Um feto é uma "pessoa", semelhante a nós, com iguais direitos.
  • O aborto legal deixa as mulheres à mercê de todo o tipo de pressões.
  • O aborto legal vai congestionar os serviços de saúde.
  • A despenalização do aborto vai provocar o aumento do número de abortos.
  • O aborto é um pecado. É mau e imoral.





Saude Sexual e Reprodutiva: O Aborto e a Pobreza
O aborto inseguro continua a ser um fenómeno preocupante em todo o mundo.

Só em 2006, cerca de 20 milhões de mulheres enfrentaram as consequências de um aborto realizado sem condições de segurança. Destas, mais de 90% pertencem ou pertenciam aos países mais pobres do mundo. O aborto inseguro é uma das maiores causas de mortalidade materna, é um problema de saúde pública, uma tragédia que pode ser evitada.

O aborto realizado em condições inadequadas constitui, ao mesmo tempo, uma causa e uma consequência da pobreza. É um dos factores que mais contribui para o elevado índice de mortalidade e de danos no que se refere à saúde física e psíquica da mulher, sobretudo nos países em vias de desenvolvimento.

A dificuldade das mulheres mais jovens em exigirem os seus direitos ao nível da saúde sexual e reprodutiva, leva a que tenham, muitas vezes, de ter de optar entre arriscar as suas vidas e a sua saúde com um aborto inseguro ou serem excluídas socialmente e abandonadas.

O impacto do aborto inseguro coloca em evidência as desigualdades sociais e de saúde pública entre países desenvolvidos e países em vias de desenvolvimento. Não há dúvida de que o aborto inseguro atinge essencialmente as mulheres mais pobres. É nos países em vias de desenvolvimento que a taxa de mortalidade é maior.

Esta é a nossa realidade! Muitas mulheres não têm controlo sobre a sua vida sexual, não têm acesso ou não lhes é permitido o acesso aos serviços de planeamento familiar, tendo isto como consequência, a gravidez não desejada.

A desigualdade de género, a cultura, a religião e a pobreza são factores que limitam as oportunidades das mulheres decidirem sobre a sua vida sexual e reprodutiva.





Controlo Populacional e Aborto






O Feminismo e o Aborto
O Aborto desperta posições opostas, dependendo dos aspectos que sustentam a opinião de cada um, de cariz político, moral, pessoal, etc. Sempre houve a ideia de que existe um instino maternal inato, e as mulheres sempre foram educadas com o objectivo de se tornarem mães e esposas, dedicadas ao lar. Contudo, com a emancipação houve profundas mudanças do estatuto da mulher, conquistando esta um lugar visível e dinâmico na sociedade outrora liderada por homens.

Assim, surge uma nova concepção social da mulher, onde a gravidez deixa de ser encarada como instância máxima de realização pessoal.

A gravidez deixa de ser sinónimo de maternidade, passando a ser cada vez mais uma opção.

A mulher actual, adquire uma liberdade social e sexual que até então não existia. Com um papel mais activo, a “nova mulher” começa por reinvidicar os seus direitos. A nível internacional, assitimos ao surgimento de vários movimentos feministas, organizados em prol do exercício dos seus direitos. Frases como “o nosso corpo nos pertence” são proclamadas na luta travada na década de 60/70 pela igualdade, dignidade e liberdade da mulher. O corpo feminino desapropriado, sem voz, forçado a um só destino, ausente de direitos e de escolhas, é substituído por um activo, revolucionário e determinado a conquistar o direito de dispôr sobre si próprio, da sua sexualidade e da decisão ou não pela maternidade.

Desta luta nem sempre pacífica, sobre a condição feminina, os seus direitos e liberdades, o tema do aborto sempre fez parte. O facto do aborto ainda em muitos países ser considerado crime, ser ilegal e clandestino, não existindo a opção consciente e segura para a mulher grávida, fez e faz com que muitas mulheres ainda morram por falta de segurança e condições sanitárias, quando por motivos pessoais recorrem a esta prática.







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