Evitar o aborto



“A sexualidade é uma energia que nos motiva para encontrar amor, contacto, ternura e intimidade; integra-se no modo como nos sentimos, movemos, tocamos e somos tocados; é ser-se sensual e ao mesmo tempo ser-se sexual. A sexualidade influencia pensamentos, sentimentos, acções e interacções e, por isso, influencia também a nossa saúde física e mental”.
Organização Mundial de Saúde
    A CONTRACEPÇÃO:
    Os contraceptivos são métodos existentes, que ao serem utilizados evitam uma gravidez. Existem vários métodos contraceptivos, mas não há nenhum que seja bom para todas as mulheres ou homens, de todas as idades e em todas as situações. Cada mulher e cada homem deve decidir, juntamente com o seu medico, qual o método contraceptivo mais adequado ao seu caso, à sua idade e ao seu estado de saúde, nas diferentes fases da sua vida fértil. É necessário saber que, qualquer que seja o método escolhido, só resultará se for utilizado correctamente.

    Métodos Contraceptivos:

    Métodos Reversíveis :
        • Pílula
        • Preservativo
        • Implante
        • Injectável
        • Adesivo Contraceptivo
        • Anel Vaginal
        • Diafragma
        • Espermicidas
        • D.I.U.
        • Contracepção de Emergência
    Métodos Irreversíveis:
        • Laqueação de trompas
        • Vasectomia

Métodos Contraceptivos Reversíveis:


Pílula
É o método contraceptivo mais eficaz para prevenir uma gravidez dentro dos métodos reversíveis. Um método diz-se reversível quando a mulher recupera a fertilidade ao deixar de o usar. A pílula actua através da inibição da ovulação e, por isso, uma pessoa que a utilize não tem período fértil. A sua eficácia é de menos de 0.5 gravidezes por cada 100 mulheres que a utilizam anualmente. O uso correcto da pílula é a garantia desta eficácia. Não protege das infecções sexualmente transmissíveis (I.S.T.’s).




Preservativo
É um método contraceptivo muito eficaz se for usado de forma correcta e regular. É constituído por látex, material bastante resistente e flexível. É fácil de adquirir, fácil de utilizar, não é necessário receita médica, não apresenta efeitos secundários, e previne com eficácia não só uma gravidez, mas também as infecções que se transmitem por via sexual (IST). Actua como uma barreira física que impede o contacto com os fluidos sexuais. Para que a sua eficácia seja garantida, deve ser utilizado de acordo com as instruções que o acompanham. Existem também preservativos constituídos por poliuretano, material aconselhado para quem faz alergia ao látex.

Existem preservativos masculinos e femininos.

É o único método que previne o contágio das infecções sexualmente transmissíveis (I.S.T.’s)




Implante
O implante contraceptivo é um bastonete que contem progesterona, que é inserido debaixo da pele do braço. Deve ser colocado por um técnico de saúde habilitado para o fazer. É dada uma anestesia local na zona do braço para a inserção. É rápido e quase indolor.

Actua inibindo a ovulação e aumenta a viscosidade do muco cervical dificultando a permeabilidade dos espermatozóides. Tem uma eficácia contraceptiva muito elevada e uma duração de três anos, ainda que possa ser retirado no momento em que a mulher o decida.

É importante que a mulher saiba que quando utiliza este método as “menstruações” podem sofrer alterações, tornando-se (regra geral) mais escassas ou mesmo deixar de as ter (amenorreia).

O implante deve ser colocado até ao 5º dia do ciclo menstrual e é eficaz a partir das 8 horas após a sua inserção.

Não protege das infecções sexualmente transmissíveis (I.S.T.’s).




Injectável
A injecção é um método contraceptivo sob a forma de injecção e é constituído por uma única hormona: o progestagénio. Tal como a pílula progestagénica, inibe a ovulação e causa o espessamento do muco cervical, o que dificulta a mobilidade dos espermatozóides. É uma injecção intramuscular que deve ser dada na nádega ou no braço, de 12 em 12 semanas. Contrariamente aos outros métodos, não é possível interromper a sua actuação depois de administrado, mas tem a vantagem de não ser de toma diária, semanal ou mensal o que evita os esquecimentos no seu uso. A sua eficácia é de 12 semanas, findas as quais, deve ser administrada nova injecção caso queira manter o efeito contraceptivo.

O injectável é um método contraceptivo muito eficaz e se for aplicado num dos três primeiros dias da menstruação a mulher fica desde logo protegida duma gravidez. Este método não protege das infecções que se transmitem por via sexual.

Não protege das infecções sexualmente transmissíveis (I.S.T.’s).




Adesivo Contraceptivo
É um método contraceptivo em forma de adesivo: fino, confortável e fácil de aplicar. Este adesivo liberta uma dose diária de hormonas -estrogénio e progestagénio – para a corrente sanguínea, que inibem a ovulação, ficando assim a mulher protegida duma gravidez.

É colocado um adesivo por semana, durante três semanas consecutivas, seguidas de uma semana de intervalo. O 1º adesivo é aplicado no 1º dia da menstruação, retirado sete dias depois e substituído por outro (o 2º adesivo) que permanecerá durante sete dias, altura em que se coloca o 3º adesivo. Segue-se uma semana sem que esteja colocado o adesivo e durante a qual pode aparecer a hemorragia de privação. Após um período de sete dias de pausa, um novo adesivo deve ser colocado, iniciando um novo ciclo.

Não protege das infecções sexualmente transmissíveis (I.S.T.’s).




Anel Vaginal
É um contraceptivo em forma de anel, flexível, que é introduzido na vagina. Tem uma forma de actuar semelhante à da pílula, e contém dois componentes activos (um progestagénio e um estrogénio), que inibem a ovulação, pelo que se chama anovulatório.

É um método contraceptivo cómodo e de fácil colocação, e a sua eficácia é de quatro semanas: três de colocação e uma semana em que é retirado. É eficaz desde o 1º dia (quando colocado no 1º dia da menstruação) e deve ser retirado ao final de três semanas. Faz-se uma semana de pausa, na qual aparece a hemorragia de privação (semelhante à menstruação). Ao 7º dia a mulher deve colocar um novo anel, iniciando assim um novo ciclo.

Não protege das infecções sexualmente transmissíveis (I.S.T.’s).




Diafragma
É constituído por uma capa de borracha flexível que se introduz na vagina de modo a que o colo do útero fique tapado, isto é, actua como uma barreira física que impede a entrada de espermatozóides no útero. Deve ser utilizado juntamente com um espermicida, para aumentar a sua eficácia. Pode ser colocado em qualquer altura, antes do coito, e deve permanecer colocado nas 6 a 8 horas seguintes. Se forem vários os coitos, é preciso introduzir mais espermicida antes de cada um, e contar as oito horas a partir do último. A grande vantagem do diafragma é que carece de efeitos secundários. Para a aquisição deste método contraceptivo, a mulher deve fazer uma consulta de planeamento familiar ou ginecologia, para que saiba quais são as dimensões do diafragma adequadas para a sua constituição física, para aprender como o colocar de forma correcta e como fazer a sua manutenção.

Este método não protege das infecções sexualmente transmissíveis (IST).

Actualmente não é comercializado em Portugal.

Não protege das infecções sexualmente transmissíveis (I.S.T.’s).




Espermicidas
São substâncias químicas que imobilizam e destroem os espermatozóides. Existem diferentes tipos de espermicidas: gel, creme, comprimidos ou cones. Não devem ser utilizados como único método contraceptivo, mas sim como complementares a outros métodos (como por exemplo, o preservativo ou o diafragma) porque a sua eficácia é reduzida. Não protegem das infecções sexualmente transmissíveis (IST).

Não protege das infecções sexualmente transmissíveis (I.S.T.’s).




D.I.U
O Dispositivo Intra-Uterino (D.I.U.) é um pequeno objecto de plástico que é colocado no útero de forma a desencadear uma resposta inflamatória que faz com que os espermatozóides/óvulo sejam destruídos. É deste modo que exerce a sua função contraceptiva. Também actua impedindo que a nidação (implantação do ovo no útero) ocorra.
Existem vários tipos de D.I.U.: de plástico simples, com filamentos de cobre ou prata. Para além destes, existe um Sistema Intra-Uterino (S.I.U.) que actua de forma semelhante, mas que liberta hormonas que vão espessar o muco cervical e impedir a libertação do óvulo (ou seja, têm uma acção anovulatória).
A colocação do D.I.U deve ser efectuada por um técnico de saúde experiente e pode ser colocado durante a primeira metade do ciclo menstrual, desde que seja assegurado que a mulher não está grávida.
O D.I.U. pode ser utilizado como Método de Contracepção de Emergência, se tivermos em consideração a sua actuação anti-nidatória. Para tal, deve ser colocado num limite de 5 dias após a relação sexual de risco.

Não protege das infecções sexualmente transmissíveis (I.S.T.’s).




Contracepção de Emergência
A contracepção de emergência é um método contraceptivo a que se pode recorrer depois de uma relação sexual em que não foi utilizada contracepção ou quando existe falha no método contraceptivo utilizado regularmente.

Existem duas formas de contracepção de emergência: a Pílula de Contracepção de Emergência e o Dispositivo Intra-Uterino de cobre (D.I.U.) A contracepção de emergência deve ser tomada até às 120 horas após a relação sexual de risco. Quanto mais cedo for tomada, maior é o seu grau de eficácia. Sempre que possível deve ser tomada nas primeiras 12 horas após a relação sexual.

A contracepção de emergência é para se utilizar em situações de excepção.

Não deve ser utilizada regularmente e em nenhum caso deve substituir os meios habituais de contracepção.

Não protege das infecções sexualmente transmissíveis (I.S.T.’s).




Métodos Contraceptivos Irreversíveis:


Laqueação de Trompas
É considerado um método de contracepção definitivo e consiste na interrupção das trompas de Falópio, através de um corte ou da colocação de um anel que bloqueia a passagem dos espermatozóides.
É uma operação é simples, pode ser realizada em sistema ambulatório e a mulher pode regressar a casa poucas horas depois do procedimento. Pode também ser realizada após um parto ou cesariana. Não infere com o ciclo menstrual, pelo que a mulher continua a menstruar.

Não interfere no relacionamento sexual.

Não protege das infecções sexualmente transmissíveis (I.S.T.’s).





Vasectomia
Tal como a laqueação de trompas, a vasectomia é considerada um método de contracepção definitivo. Consiste em cortar ou bloquear o canal que leva os espermatozóides dos testículos (onde se formam) para o pénis. É uma intervenção cirúrgica muito simples e sem efeitos secundários. Não afecta a qualidade das relações sexuais, ou seja, não interfere com a reacção sexual. O homem continua a ter capacidade de erecção, de ejaculação e de obter e dar prazer.
É importante saber que após a intervenção, o método não é imediatamente eficaz, pois os canais espermáticos ainda contém espermatozóides que continuaram presentes no sémen aquando da ejaculação. Devem efectuar-se colheitas espermáticas depois da vasectomia e considera-la eficaz depois de 2 amostras sem espermatozóides. Antes desta confirmação o homem deve proteger-se adicionalmente.

Não protege das infecções sexualmente transmissíveis (I.S.T.’s).



Educação para a sexualidade
Educar para a sexualidade é, hoje em dia, fundamental na promoção da saúde e do desenvolvimento pessoal e social dos homens e das mulheres.

Problemas como a gravidez não desejada, infecções por VIH e outras infecções sexualmente transmissíveis, assumem uma dimensão relevante em todo o mundo. É evidente a necessidade de uma educação para a sexualidade responsável e responsabilizante. O direito à saúde sexual e reprodutiva apresenta carências e levantam-se ainda obstáculos difíceis de serem explicados e superados.

É importante trabalhar questões como a acepção integral da pessoa, a eminente dignidade da vida humana, o respeito pela autodeterminação e pelas opções do outro, as diferentes abordagens da afectividade e da vivência sexual, a fronteira com a saúde pública e a concorrência mais vasta com outros direitos e deveres, os problemas da natalidade, da maternidade e paternidade, da conjugalidade, ou as noções variadas da família, de liberdade individual e mesmo de comportamentos de risco.

É fundamental transmitir conhecimentos e informações precisas sobre o desenvolvimento e funcionamento do corpo, a sexualidade e os afectos. A passagem da informação deve ser clara, precisa e consistente tendo em conta os valores, as expectativas, as aspirações e as necessidades de cada pessoa e de cada cultura.

Rapazes e raparigas, homens e mulheres de todo o mundo, têm direito à informação e educação sobre a sexualidade, e a serviços e apoios em matéria de Saúde Sexual e Reprodutiva, incluindo o conhecimento e acesso dos diversos métodos contraceptivos, tal como foi assumido e reiterado nas várias conferências e cimeiras das Nações Unidas.





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